domingo, 26 de julho de 2015

RECEITAS E A ANTROFAGIA


Antropofagia, Montaigne e uma receita especial


Como filósofo francês enxergou o canibalismo dos tupinambás – e de que modo este choque cultural inspirou um caldinho original, cuja receita oferecemos
Poucas ideias foram tão fecundas em galvanizar a identidade brasileira quanto aquela que está no centro do Manifesto Antropófago, publicado por Oswald de Andrade em 1928, no primeiro número da Revista de Antropofagia. “Só a Antropofagia nos une!”, bradou o poeta, e assim cunhava o termo, saudando a um só tempo a ancestralidade e o devir da cultura nacional.
Falava da “devoração” cultural do outro, tendo como símbolo a devoração “literal” praticada por alguns povos indígenas nativos das terras que vieram a se tornar o Brasil. Ou seja: apropriar-se do outro nunca nos fez menos “brasileiros”, ao contrário, essa flexibilidade e capacidade de diálogo é que nos faria o que somos. Ao menos assim seria neste utópico mito de origem modernista.
A nação mestiça brasileira ganhava um ato de fundação: nada de levantes políticos ou militares, mas sim a “Deglutição do Bispo Sardinha”, o primeiro europeu a entrar oficialmente no cardápio dos índios brasileiros, no caso, da etnia caeté. O fato, que ocorreu em 1556, foi usado para difundir a fama de “barbárie” dos povos nativos da América.
Mais ou menos nessa época, meados do século XVI, o filósofo francês Montaigne tratou do Novo Mundo, principalmente as terras ocupadas pelos seus compatriotas, onde hoje é o Rio de Janeiro. Contestando a pecha de “novos bárbaros” que recaía sobre os índios dos quais teve notícia (provavelmente os tupinambás), Montaigne escreveu o ensaio “Dos canibais”, abordando o tema que causava espanto na Europa. A partir de relatos, Montaigne se impressionou com o profundo respeito com que os índios tupinambás devoravam os seus inimigos capturados na guerra – talvez, pensava ele, com o intuito de absorver-lhes a coragem e a força. Aliás, segundo o francês, os próprios capturados não tentavam escapar, pois isso representaria algo como uma confissão de covardia. E ele via nisso um contraste com o jeito europeu de tratar seus prisioneiros e, também, de querer sobreviver a qualquer custo, mesmo que isso representasse a desonra.
Aproveitando o mote, e em retribuição à homenagem de Montaigne, oferecemos aqui a oportunidade de devorar e saborear um clássico francês. É a Vichyssoise Tupiniquim. A principal diferença em relação ao tradicional caldinho francês é que a batata é substituída pela mandioca.
A receita é de Raphaela Homem de Melo, chef da OCA Tupiniquim. Ela incluiu a dica de preparar em casa um caldo de legumes natural e, também, de finalizar com uma maravilhosa chantilly de noz moscada.
Aproveite e depois nos conte como ficou!
Vichyssoise Tupiniquim
Ingredientes:
500 g de mandioca sem casca
4 talos de alho-porro cortado em rodelas
3 colheres de sopa de manteiga
Sal a gosto
Pimenta branca moída a gosto
Caldo de legumes natural

Para o caldo de legumes natural:
2 litros de água
1 cenoura descascada e cortada ao meio
1 cebola inteira descascada e cortada ao meio
As folhas do alho-porro que restaram dos talos

Preparo: despeje todos os ingredientes na água e colocar para ferver. Depois que levantar fervura, deixe cerca de 15 minutos, até que este caldo fique bem saboroso. Coe e reserve para cozinhar a mandioca.
Modo de preparo:
Murche as rodelas de alho-porro na manteiga. Acrescente a mandioca, o sal, a pimenta e o caldo de legumes. Deixe cozinha até que a mandioca esteja bem macia. Processe tudo em um liquidificador e coe. Sirva bem quentinho.
Sugestão: finalize o caldo com chantilly de noz moscada

segunda-feira, 2 de março de 2015

MÚMIAS SÃO ENCONTRADAS NO ESGOTO NO EGITO



Duas múmias egípcias foram encontradas flutuando no esgoto de um vilarejo ao sul do Cairo, informou a imprensa local.



As múmias, que estavam embrulhadas em vários lençóis e dentro de seus sarcófagos de madeira, foram encontradas pela polícia em um córrego poluído num vilarejo perto da cidade de Minya, 240km ao sul do Cairo, informou a revista online CairoScene.

Acredita-se que elas sejam do período greco-romano (332 aC a 395 dC), mas o Ministério de Antiguidades disse que pouco restava dos corpos.

"Apesar dos caixões estarem decorados com desenhos coloridos, eles não tinham nenhuma inscrição egípcia antiga ou hieróglifos", disse o ministério em comunicado. Um terceiro sarcófago também foi encontrado, mas vazio.

Não se sabe como as múmias chegaram ao córrego, mas Yusuf Khalifa, funcionário do ministério, disse ser provável que elas tenham sido descobertas por pessoas que realizam escavações ilegais.

Há fortes restrições a escavações no Egito - em outubro de 2014, sete pessoas foram presas em Giza, nos arredores do Cairo, após uma escavação ilegal ter descoberto os restos de um templo antigo.

Especialistas tentam, agora, restaurar os restos das duas múmias. Elas deverão ser expostas junto com seus sarcófagos no museu de Minya, disse o ministério.

domingo, 4 de janeiro de 2015

COMO ANDA A ARTE?

Curador Charles Esche afirma: época em que artistas limitavam-se à liberdade formal acabou. Em tempos assustadores, estética precisa engendrar outra ética
Entrevista a Vanessa Rato, Imagem: Cildo MeirelesFontesdetalhe de instalação (1992-2008)
Na conferência que deu na semana passada, na Fundação Calouste Gulbenkian, Charles Esche comparou o desmonte do conceito de Estado na Europa a uma cidade após um terremoto de grande escala: num edifício tudo parece intocado e funcionando; o prédio ao lado, porém, foi-se – abrimos a porta e percebemos que a fachada guarda apenas uma ruína, um buraco cheio de escombros.
Isto já aconteceu, constatâmo-lo todos os dias, a cada passo. Agora resta reinventar. E Esche acha que os museus e teatros podem tomar as rédeas desse processo. Os tempos da arte pela arte acabaram – é preciso uma “arte-ferramenta”, diz ele. Um demagogo? O que ele diz é: “Eu sei que pareço um marxista enfurecido, mas não sou, sou apenas realista.”
Há dez anos à frente do conhecido Van Abbemuseum, de Eindhoven, na Holanda, e um dos responsáveis pela Afterall Publishing, que fundou em 1998 com o artista plástico Mark Lewis, Esche foi este ano um dos curadores da Bienal de São Paulo, depois de ter feito a de Gwangju (2002) e a de Istambul (2005). Fundador, em 2010, da Internationale, uma confederação de museus europeus, foi apontado pelo Center for Curatorial Studies do Bard College como o bolsista de 2014 do Audrey Irmas Award for Curatorial Excellence, antes atribuído, por exemplo, a Harald Szeemann, Catherine David, Okwui Enwezor ou Lucy Lippard.
A grande afirmação da sua conferência foi que instituições de caráter artístico como museus e teatros podem e devem assumir-se como os grandes agentes da reinvenção do Estado. O que levanta antes de mais a pergunta: em que sentido é que o Estado precisa de ser reinventado? Como diretor de museu, que diagnóstico faz do atual estado do Estado? 
Claramente, o Estado, ou os Estados, entraram em crise existencial. Uma crise de um tipo que já não se via há bastante tempo – provavelmente desde o fim do século XVIII, com o nascimento do conceito de Estado-nação. Diria que a combinação do projeto europeu com a globalização do capital e a perda de soberania – que é muito clara em Portugal mas é visível por todo o lado desde o início da atual crise, em 2008 – produziu um desafio fundamental: a ideia de Estado, tanto em termos de estrutura identitária, como em termos econômicos e de estrutura social, que define um grupo de pessoas como cidadãos e lhes atribui direitos e responsabilidades, essa noção de Estado – que até certo ponto nasce da Revolução Francesa, mas que também deriva do estabelecimento da social-democracia na Europa do pós-guerra e que foi o modelo até agora dominante na Europa –, está ameaçada. Não é um fim que se possa propriamente celebrar. Em muitos sentidos, torna a vida mais difícil. Mas, através de várias manipulações e fracassos da social-democracia – manipulações através dos mass media, mas também fracassos do próprio Estado – a ideia de Estado parece, de fato, em decadência. E não vejo forma de que possa ser salvo de si mesmo na forma que até agora lhe conhecíamos. Os objetivos desse Estado talvez ainda se possam salvar. Mas é preciso que sejam traduzidos para novos suportes.

A que fracassos se refere?
Ao fracasso do Estado em se adaptar a contextos e necessidades em mutação, ao fracasso do modelo do Estado providência, dos serviços nacionais de saúde, da ideia de que a cidadania é partilhada pelas pessoas e que, portanto, todas têm certos direitos, a própria ideia dos direitos que derivam de uma cidadania e dos deveres que lhe estão associados… No fundo, estamos nos afastando de uma estrutura democrática retomando um modelo oligárquico em que um pequeno grupo de pessoas organizam a maior parte das decisões e em que os governos, que não estão completamente no controle, alinham-se com essas decisões. Presume-se que um Estado tem um governo e que o governo determina o que acontece nesse Estado. Acontece que esta oligarquia é transnacional, é global, e é a nível global que opera. Se um Estado diz: vamos tentar lidar com esse problema, por exemplo, criando impostos mais altos para as atividades dessa oligarquia, ela diz: ah, bom, então vamos para outro Estado, o problema é vosso. Neste sentido, o Estado já não opera da forma que costumava. E isso nos últimos anos tornou-se óbvio para todos nós. Portanto, é o Estado que está em apuros.

E que características permitem às instituições da arte assumir o papel de agente de reinvenção do Estado? 
Um dos conceitos para o qual me parece que devemos olhar com atenção é o dos “commons”, um conjunto de valores ou de bens que não têm um proprietário individual, mas colectivo. O Estado manteve para si durante muito tempo a ideia de “commons”, agora parece-me que há oportunidade de generalizar a ideia de propriedade coletiva. E parece-me que as próprias instituições artísticas incorporam já em si o conceito de “common”. As colecções dos museus, por exemplo: de certa forma, são já propriedade partilhada. Apesar de esta ser a Fundação Calouste Gulbenkian e de, basicamente, pertencer à família Gulbenkian, a forma como foi criada permitiu que todos os portugueses sintam alguma propriedade sobre ela. E é ainda mais assim em relação a uma colecção num museu nacional. Portanto, há uma ideia de “common” já inscrita nas instituições artísticas. E esse é um legado sobre o qual podemos construir. Outra coisa é esta estranha função que a arte manteve em toda a sociedade democrática e burguesa que é assumir-se como um espaço de liberdade, um espaço de experimentação. Não é um valor universalmente partilhado, mas é uma assunção comum que a arte é uma esfera onde são permitidas coisas que não são permitidas noutras esferas – a maior parte das pessoas dirá que é importante que a arte seja livre e que os artistas possam fazer o que querem. E isto é uma coisa de que nos podemos aproveitar. Podemos instrumentalizar a ideia de autonomia inscrita na acepção ocidental de arte, que é que a arte faz as suas próprias regras. Podemos instrumentalizar isso para ajudar a resolver a questão do fracasso do velho Estado social e das estruturas do Estado em geral.

“Autonomia” e “instrumentalizar” – são conceitos antagônicos e que se anulam mutuamente. A partir do momento em que se instrumentaliza uma coisa ela deixa de ser autônoma. É uma proposta assustadora nos termos em que a coloca. 
Vivemos tempos assustadores, precisamos de conceitos assustadores para lidar com eles. Essa autonomia é uma posição que a sociedade nos permite ocupar – então vamos usá-la, vamos aproveitar o fato de podermos usufruir dessa liberdade! Temos uma condição diferente da das instituições de educação, por exemplo, que são altamente instrumentalizadas. O tipo de educação que se oferece está hoje diretamente ligado aos mercados, exatamente como acontece em tantos outros setores da sociedade que já pertenceram ao Estado e foram entretanto privatizados, ficando nas mãos da mesma oligarquia internacional de que falava há pouco. O mundo da arte, à sua pequena e impotente escala, é ligeiramente diferente. O que peço é que usemos essa diferença.

Mas, ao pôr esse espaço de liberdade ao serviço seja do que for – neste caso de uma certa perspectiva de ação e construção social –, você não empurra o domínio artístico para o mesmíssimo lugar onde estão as esferas que, precisamente pela sua falta de autonomia, já não servem como plataformas de reinvenção? 
O que estou dizendo é que a arte se oferece como espaço para a experimentação. E defendo essa ideia de experimentação. Mas digo que ela não deve ser apenas estética, deve também implicar-se em termos de organização social. De novo: é qualquer coisa que os puristas, os modernistas, vão rejeitar, mas se virmos a arte como tendo uma função, uma delas tem que ser imaginar qualquer coisa que ainda não existe. Isto é necessário e verdade em qualquer processo criativo, quer seja socialmente criativo, individualmente criativo ou mesmo criativo em termos capitalistas, de criação de um novo produto: o processo de imaginar o que ainda não existe é fundamental – se não conseguimos imaginar, será muito difícil criar. E o que estou a dizer é que se o espaço da arte é já imaginar coisas diferentes das que existem, então porque não imaginar a sociedade? Porque não imaginar uma sociedade diferente da que temos e não apenas aplicações para um vermelho ou verde?

Pode exemplificar?
Sim. Uma das grandes questões nos museus é o que fazer com a herança que recebemos – as nossas coleções. No Van Abbemuseum temos uma coleção de arte moderna. Uma das perguntas é como podemos torná-la mais atual, mais contemporânea. Limitâmo-nos a mostrá-la? Quer seja um Sol LeWitt ou um Lawrence Weiner, mostrar e dizer: “Esta era a cultura que existia nos anos 1970; não era maravilhoso?” Da mesma maneira que podemos mostrar uma urna grega e dizer: “Não era fantástica esta cultura?” Ou será que podemos tornar a coleção relevante face a conceitos contemporâneos? Uma coisa que fizemos com um coletivo dinamarquês, os Superflex: eles copiaram um dos Sol LeWitt da coleção e depois distribuímos as cópias gratuitamente aos visitantes. O que aconteceu foi que a ideia de uma obra de arte conceitual, que se materializou num objeto com um valor de mercado, voltou à sua matriz conceitual – porque o que o Sol LeWitt dizia que importava era a ideia, não o resultado material dessa ideia. Neste projeto, voltamos à ideia original e tentamos atualizá-la para o público de hoje. As pessoas puderam realmente levar uma obra de arte para casa. Houve um momento maravilhoso em que se via as pessoas a saírem do museu com uma obra de arte na mão. Que é o oposto do que um museu é suposto fazer, que é proteger tudo, garantir que não foge. Nós, na verdade, escancaramos as portas. E ao quebrar os protocolos que dizem que não se distribuem as obras de arte dos museus pelo mundo, começámos a atualizar o potencial que existe nessas obras. É um exemplo. Haveria muitos.

Claramente, é contrário à ideia da arte pela arte, acha que a arte deve ter uma função político-social clara e imediata.
Sim. A arte pela arte existiu dentro de uma estrutura socio-politico-econômica específica, um contexto de excesso produzido pela burguesia, que achava que a arte não devia ter uma função porque a sociedade era rica ao ponto de poder conceber um fora do utilitarismo. Nessa sociedade, a arte recebeu um papel específico, um papel que, à sua maneira, também era político. E no período da Guerra Fria essa arte pela arte foi instrumental, servia para provar a liberdade do mundo ocidental por oposição à instrumentalização que o leste fazia da arte e dos artistas. Portanto, tanto em tempos mais recuados como mais recentes, essa ideia existiu em contextos muito específicos. Contextos que já não existem. Faz muito pouco sentido em 2014. E a sua sobrevivência até agora foi, na minha opinião, um acidente histórico, um lastro deixado por regimes anteriores.O que define, para si, uma arte útil?
No museu usamos a expressão espanhola “arte útil”. A ideia da arte como ferramenta [porque, em castelhano, “útil” quer também dizer ferramenta] parece-me mais sedutora do que a ideia de uma arte utilitária. Creio que transmite bem a capacidade da arte em assumir um papel funcional dentro das estruturas de pensamento. E isto implicará determinadas características: uma arte útil terá uma relação real com o mundo, não será apenas simbólica, não usará apenas uma linguagem simbólica, mas fará propostas reais para mudanças reais do mundo real, satisfará talvez uma necessidade ou produzirá um resultado com efeitos fora das instituições da arte. Isto tem antecedentes. Certas formas modernistas, como as ligadas às vanguardas russas, estão muito ligadas a ideias como estas. E se formos até ao século XIX temos as propostas do [crítico de arte e social britânico] John Ruskin, ou as do [artista e fundador do movimento socialista inglês] William Morris, em resistência à industrialização. Um conceito como o de “arte útil” recorda que a arte pode ter uma função genuína na sociedade. O lugar que ocupava e as funções que tinha no Estado-nação da social-democracia estão se desvanecendo, tal como essa ordem do mundo. Temos que encontrar novas justificações para o papel da arte e acho que esta é uma delas.

No entanto, parece um retrocesso.
Se pensarmos que um Jackson Pollock foi profundamente instrumentalizado pelas políticas do período da Guerra Fria, não sei onde fica essa arte pela arte sem uma relação com a sociedade, sem um papel social. Não me parece que a noção do “espectador desinteressado” ainda seja especialmente válida. Não me parece que hoje ainda seja possível ocupar a posição de alguém que pode produzir julgamentos estéticos tendo por base o seu “desinteresse”, a sua exterioridade e neutralidade. Vivemos tempos de necessidade, tempos em que temos que perceber o papel da arte. E ela sempre teve um papel, nunca foi não instrumental. A única questão é que durante muito tempo nos recusamos a ver isso. Em suma: acho que a questão é como é que instrumentalizamos a arte e não se podemos instrumentalizá-la.

Ou seja, é a crise que, para si, leva a uma redefinição do papel da arte?
Quando falamos da crise, no singular, parece haver apenas uma [a financeira e econômica]. Não é verdade. Uma das crises é ambiental. Algumas pessoas não aceitam a sua existência, mas, genericamente, vemos que os recursos de que precisamos para viver bem exigem sistemas de valores e padrões comportamentais diferentes [dos que temos adotado]. Depois, também há uma crise política, uma crise de representação – os políticos já não nos representam. Diria que a maior parte das pessoas que viveram as velhas democracias não sentem que o atual sistema seja representativo delas ou das suas comunidades de forma eficaz – o Syriza [coligação de esquerda grega] ou o [partido espanhol] Podemos são exemplo da forma como continuamos a batalhar por uma representatividade, mas o próprio sistema reage contra. É uma tragédia, mas acho que temos que ser honestos: estamos nos encaminhando para uma pseudodemocracia em que os pseudo processos eleitorais e os sistemas de pseudo representatividade mascaram uma oligarquia. Uma oligarquia sendo um grupo de pessoas bastante fixo – o chamado 1%, a classe dominante – que basicamente manipula as decisões políticas de forma a que os seus interesses sejam protegidos acima de quaisquer outros. Acho que, neste momento, todos vemos isto e percebemos que essa oligarquia se mantém intocada. Mas, paradoxalmente, a força e poder dessa oligarquia também se tornaram maiores. Se olharmos para as consequências da crise, constatamos que a oligarquia maximizou o seu potencial de lucro. Fê-lo às custas da maioria das pessoas. E as mídias e a maioria das forças de persuasão usadas para nos convencer de que isso é aceitável dedicam-se a proteger esses interesses. Ou seja: vivemos tempos oligárquicos, a questão é o que vamos fazer a esse respeito.

Até que ponto é que a vigência dessa oligarquia afecta os museus e outras instituições da arte?
Enormemente. Primeiro, porque ao levar o Estado a retirar-se [a oligarquia] alarga cada vez mais o seu espectro de atuação. A maioria dos museus foi criada a partir de fundos públicos – e isto tanto é verdade para os Estados Unidos, com os incentivos fiscais, como para a Europa, com o financiamento público directo. Entretanto, começaram a abrir cada vez mais museus privados. O que levou a uma explosão brutal do mercado da arte, que foi uma consequência do excesso de riqueza que a oligarquia produz. E como o domínio público tem muito menos riqueza do que o privado, torna-se cada vez mais difícil reter certo tipo de obras nos museus públicos. Ou seja, o interesse coletivo começou a ver-se cada vez menos representado, em prol dos interesses dos colecionadores privados. E houve uma mudança nas estruturas de poder nos museus, que passaram da dependência de estruturas democráticas, como as Câmaras Municipais e os ministérios da Cultura, para a dependência de conselhos administrativos normalmente compostos por membros diretos da oligarquia. As fundações privadas, por exemplo: uma vez mais, são instrumentos usados pela oligarquia para libertar alguns dos seus lucros, algum do seu excesso financeiro. E os museus estão cada vez mais nas mãos destas figuras oligárquicas. Dantes, para verem os seus projectos financiados, os directores dos museus tinham que ir em visita suplicante a ministros democraticamente eleitos, agora têm que ir em visita suplicante a oligarcas.

sábado, 27 de dezembro de 2014

O DESPREZO DAS ARTES CLÁSSICAS NO BRASIL. INOVAR NÃO É BANALIZAR


Não há como estabelecer comparação em termos dos  chamados espetáculos clássicos no Brasil principalmente, no eixo Rio/São Paulo tomando como exemplo alguns eventos nos espaços abertos ou em recintos fechados em países com tradição nessa especialidade. São referenciais adquiridos que motivam esse tipo de programação cultural. As temporadas são sugeridas por administradores e especialistas conhecedores do assunto e não por gente do “ramo” geralmente nomeada pelo conhecido QI (Quem Indica).
 Não se adquire de um momento para o outro o hábito de apreciar sem antes ser incentivado por estratégias motivadoras e consequentemente aplicar e usufruir da pratica de uma metodologia específica para cada abordagem.  O que se tem visto no Brasil é uma improvisação exacerbada cercada de um diletantismo de dar inveja a qualquer cantor iniciante do “hit pared”. É uma desconstrução negativa no qual os valores adquiridos ao longo dos anos são descartados em face dos eufemismos e utopias aplicados.

Os produtos culturais não são uma mera mercadoria. Existem produtores e consumidores que fomentam a indústria cultural com sapiência. Entre o que contempla e é contemplado temos uma mercadoria que deve ser consumida para que se tenha uma avaliação se os fins foram alcançados.

 Que sentido há em fazer alusões às montagens ao ar livre em países como os Estados Unidos, Alemanha, França, Itália e outros que adotam essa empreitada de popularizar o clássico. A meta é abrir possibilidades para proporcionar ao público em geral e principalmente os que não tiveram acesso a uma arte chamada de elitista de entrar em contato com um tipo de expressão distinto dos seus costumes. Os bons resultados são colhidos mediante projetos que diferenciavam a clientela alvo, dessa forma instigando a empatia do espectador. Não se pode falar o mesmo em relação às programações esporádicas e festivais implantados com suposta finalidade de permitir o acesso dos “excluídos”. 

Os mais significativos teatros no mundo que acolhem as programações clássicas costumeiras ou as atuais voltadas para esse segmento de ante mão sabem que não há lucro. É insignificante o apoio do Estado no Brasil, no exterior a iniciativa privada é mais participativa. Bons resultados foram registrados com os apadrinhamentos e recursos injetados na formação de orquestras, corais, grupos de danças, teatro nas comunidades carentes na periferia das cidades brasileiras. 

O Teatro São Pedro e Municipal ambos em São Paulo pretendem incluir compositores brasileiros contemporâneos de óperas em 2015 na sua programação. Vejamos em que isso vai dar? As “temporadas” de óperas no Brasil optam por uma programação pequena. Não há a mínima possibilidade de se apreciar títulos diferenciados dos já comumente encenados por falta de estrutura e competência. O mesmo ocorre em relação aos concertos que só fogem do cotidiano quando são orquestras estrangeiras que nos visitam. A Dell'Arte empresa cultural e de entretenimento fundada em 1982 pela empresária Myrian Dauelsberg e sediada no Rio de Janeiro é sem dúvida a responsável pela excelência de eventos clássicos,
O sucateamento do Theatro Municipal do Rio de Janeiro em locações ou empréstimos para todos os tipos de comemorações é trágico e demonstra a desqualificação dos seus diretores. Por décadas acolheu o baile de gala do carnaval da cidade Rio de Janeiro não se sabe como  a sua arquitetura não desabou.   A entrada dos teatros sem exceção em dia de função é tomada por todos os tipos de ambulantes, cambistas e pedintes. Calçadas são tomadas de lixo.  A direção ou a prefeitura jamais coibiu essa bandalha.

São válidas que essas programações culturais fujam dos espaços tradicionais e possam trazer possibilidades de emprego e fomentar o turismo. Nesse último item para se obter sucesso torna-se necessário no mínimo uma terceira edição do projeto. Fácil citar as montagens de balé de New York, a ópera em Sidney, a filarmônica de Berlim, o festival de Nantes, os concertos ao ar livre na Áustria etc...  Deve-se ressaltar que tudo é feito com muito comprometimento e envolve a contratação de bons profissionais em todos os seus segmentos e etapas. 
O conhecimento e manejo da arte possuem peso relevante para se alcançar o sucesso.  Não dá para citar os renomados eventos ao redor do mundo como motivação para inseri-los de base entre-nos ou para salvaguardar erros realizados com frequência nos poucos conceituados teatros no Brasil. O que temos visto é um amadorismo que só serve para destruir o bom padrão de décadas cultuado com esmero e competência.Rotular ou criar títulos contestadores como: “Pop”, “pós-moderno” etc não dá nenhuma legitimidade.  O projeto “Aquário” do jornal“ O Globo” é um dos raros eventos que atrai o grande público propiciando uma iniciação na esfera da música clássica.

 Na ilusão de que há um “novo público” interessado - o mesmo que clica seus celulares e máquinas fotográficas e fica robotizado e disperso sem a mínima atenção nos espetáculos é engano. Afinal esse público tem uma escola deficiente, está automatizado perante os aparelhos manuseados e no seu currículo escolar não há a disciplina musical (como antes) que motive o gosto e consequentemente a compreensão da música. Os sucessivos governos não conseguem despertar o senso crítico e gerar espectadores interessados, Não existe um planejamento educativo em longo prazo . A maioria dos restaurantes e bares das cidades substituiu a música em geral pelo aparelho de TV. O estrago dessa apatia reflete a falta de um direcionamento correto no sistema educacional. Isso explica em parte a falha no comportamento social ao se verem diante do desconhecido.

É primário dar como exemplo alguns acertos em montagens bissextas. Nas últimas décadas as temporadas têm sido obsoletas; cenografia, iluminação e figurinos paupérrimos ou fora do contexto. Um declínio lamentável, pois o Rio de Janeiro já teve central de produção técnica e grandes nomes internacionais da dança ativos e se tornaram professores escolhendo essa cidade não só para viver como profissionais ensinando padrões técnicos e interpretativos das mais renomadas companhias de dança do mundo.

 A ópera teve exemplos imprescindíveis de fora para dentro. O Rio de Janeiro já sediou um dos mais importantes concursos internacional de canto lírico com adesão de um grande público e, por conseguinte fomentando o gosto pelo bel canto. Hoje apresenta uma temporada minguada e irrelevante. Uma repetição irritante e sem imaginação. 
   
O aspecto inovador não é o fato de apresentar o “novo” e sim utilizar-se de todos os conhecimentos já adquiridos e repassá-los. Esses mestres imigrantes trouxeram na sua bagagem a escolha concernente às obras escolhidas, autores, diretores e artistas enfim, todos os componentes necessários. Para ressaltar a complexidade  de um espetáculo é preciso ter a consciência de que se lida com gerações diversas entre elas a dos mais jovens, ou seja, a geração Z na porta de entrada e totalmente dependente da tecnologia de massa. Destinados e propensos a divulgarem seu subjetivismo, suas “ideias” e em parte menosprezar os conteúdos das múltiplas culturas. É um desterritorizar sem finalidade, tendo como praxe largar os conteúdos formativos existentes. São tribos sociais sem lastros coesos a consumir de tudo e ainda não definidos para dizer por que vieram.  No caso especifico, talvez, a intenção de burlar o sistema ou pelo menos preconizar um alarde em face da confusa heterogeneidade sócio cultural vigente.

Há um desiquilíbrio qualitativo na arte em todos os níveis e
 mais comum entre-nos que a cada ano se acentua e dificulta o manuseio do senso-crítico. Afasta os que possuem uma bagagem cultural, pois não há mais acréscimo. Alguns insistem em contribuir prestigiando com suas presenças e dando informações aos curiosos. Nada contra inovar. Formar o público sem ter por obrigatoriedade alijar os que têm gostos duvidosos. Estabelecer a comparação, o diálogo, à discussão, descartar a improvisação são regras a serem seguidas. O imediatismo é próprio daqueles que não querem se confrontar os que continuam presos à tentativa de criar um “novo” sistema e, por conseguinte fazer uso do descompromisso passando por cima de tudo e de todos como se fosse uma máquina destrutiva.

 Reiterando: - querer trazer mudanças para marcar presença e conseguir verbas sem antes ter criado um projeto embasado é uma medida delapidadora. Outro aspecto importante é educar o público dando-lhe conhecimento de como interagir diante das influências da música clássica e como se comportar para usufruir de uma oportunidade que somara positivamente na sua formação. Proibir os irritantes celulares, máquinas fotográficas, crianças de colo chorando, pessoas comendo na hora do espetáculo, entrando depois da cena aberta é demonstrar a preocupação de compartilhar com o bem estar do todos

Tem sido de praxe a contratação de artistas estrangeiros sem a qualificação devida, a maioria não sinalizam para as exigências e perspectivas de informações desejadas. O valor comparativo é básico para o aprimoramento do conhecimento. Um dos bons exemplos é o Concurso Internacional BNDES de piano do Rio de Janeiro que está na sua IV edição em 2014. Reúne participantes de vários países com suas escolas diferentes. Os ingressos são gratuitos e o público corresponde a esse chamamento indo ao encontro e às normas apresentadas com satisfação.  

Não ser elitista é não escancarar as portas para “realizações” que não valorizem a arte como um todo e não complete o próprio homem.  Existem sim grandes diferenças no ato de criar e gerenciar a Arte.

Vicente de Percia - Membro da Bow Art International, Associação Brasileira e internacional de críticos de arte. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Vicente de Percia comenta: MAIS VALE UMA PERNA QUEBRADA QUE UM TORNOZELO TORCIDO

   
A comunicação pode ser feita sem criatividade? Trata-se de uma pergunta pertinente, principalmente para quem acompanha a atuação da mídia? Há vínculos entre cultura e comunicação que se destaque ou pelo menos se aproxime de um questionamento embasado? Sistemas ou meros pronunciamentos exercem poderes para desvendar as barreiras e as inter-relações em relação à psicologia e aos objetivos da criatividade e da comunicação? Como desvendar e aplicar corretamente a comunicação que não tende a ser nociva e seja um bom atalho para promover e incentivar à criatividade (sistemas verbais e não verbais)? Essas séries de perguntas são motivadoras para que o público em geral possa chegar a um consenso,  em relação a esse final e início de século.
Definir cultura nos tempos atuais, por incrível que pareça se tornou um quebra cabeça movido por conceitos tão diversos e complexos que dá inveja a qualquer palco de plenário ou púlpito de pregações.  Tanto faz  que a transmissão de conhecimento seja explicita ou implícita o importante é que reflita o desenvolvimento da ideia e vá ao encontro do seu objetivo.
Existem fatores prejudiciais nos quais a omissão de não divulgar fatos pertinentes aos acontecimentos com isenção de opinião é um retrocesso indescritível. A maioria das organizações aplicam suas censuras mediantes seus comprometimentos econômicos e os grupos de empregados existentes nesses meios são reféns de uma atmosfera de desconfiança, insatisfação causada por pautas e segmentos pré-elaborados sem prévia discussão.  Os que se rebelam sofrem um tombo profissional fora as consequências sócias psicológicas – uma entorse cuja dor constante o coloca diante de uma inércia rudimentar.
No tocante à pluralidade dos posicionamentos acerca do conceito de cultura se estabelece inicialmente que a criatividade seja como a nascente para fluxos e refluxos dos seus afluentes os quais propiciam o crescimento de outros fenômenos e metas, entre eles as representações simbólicas do homem; as ciências e o existencial no qual as tradições visibilizem componentes essenciais da natureza.
A mídia hoje nomeia seus informantes, em larga escala, e não estudiosos conhecedores do assunto.  A maioria é chamada de “celebridades” e não tem o mínimo conhecimento acerca da matéria em questão.  Cumprem com suas “obrigações”, horários - é burra, pior que o ignorante e descompromissada com a verdade.  É a solução imediata e “correta” existente posta em pratica para uma audiência desejada.  Algo que não se pode omitir é o marketing aplicado em todas as estruturas da comunicação, pois é o alicerce que promove e acelera o faturamento de uma organização. As metas sociais são meras alegorias que ajudam justificar outros fatores de índoles escusas.
A criatividade e a comunicação não são similares mais caminham paralelamente para o mesmo fim. São tanto envolventes quanto apolíneos; salutares ou denunciadores na medida em que possam ser vistos admirados, assimilados e com isso devem espelhar a expressão do indivíduo que traz no bojo o testemunho da vida aliado aos seus sentidos.
 O potencial de cada um demostra as diferenças e estabelece conceitos. Nesse antelóquio leva-se em consideração o individual, as metáforas e analogias perante o tema. As estratégias e os conteúdos utilizados seguem-se em vários direcionamentos em sentidos (transversal, vertical, horizontal) e possibilita o Ser a interagir mediante as várias ferramentas e instrumentos para expressar a maneira concreta das relações existentes e concluir sua tarefa.


quarta-feira, 26 de março de 2014

O Efeito Globalizador nos Horizontes da Arte

Por Vicente de Percia
   
     Em todo fim de ano,é de praxe os meios de comunicação fazerem    reprises dos acontecimento.  torna-se habitual àqueles que prendem a opinião pública. Os argumentos utilizados não se ficção  em aspectos formativos ou em notícias que tendem a implantar o hábito de um senso crítico Tal fato ocorre porque diante de um receptor acostumado a engolir o que lhe é imposto,ele aceita a informação com passividade e atende ao imediatismo do consumo. O elemento emotivo e "sensacional"  torna-se  o preferido,sempre realizado através de discursos repetitivos, praticamente inclusos em todos os meios de comunicação.Em verdade, esta postura adotada só vinga porque a generalização da imagem e da informação não foge ao imediatismo ( sujeito é imagem)  e adere ao acúmulo de notícias que devem ser mostradas,sendo a grande maioria delas irrelevante.De fato, não propicia   atitudes que deveriam criar métodos para educar e servir  como  estratégia motivadora,   indispensável para despertara reflexão questionadora   Estes discursos passam então,  a ser, com frequência, pertinentes com todos os seus atributos de linguagem reiteradas Consequentemente,nisso já se denuncia o efeito globalizador repleto de "normas" que transformam  o texto em um produto de ganho fácil, supérfluo,utilizado, normalmente  por um longo período pelos tentáculos da mídia para uniformizar consciências.Tem-se, aí,uma propaganda  direcionada com intenções pragmáticas objetivando  o  consumo e o "convencimento da coletividade.

    A axiologia de "valores" volta-se   apenas para atrair o espectador e este posicionamento    é adotado  sem restrições.Não visa a   liberar novas inserções de aprendizagem, pois criar uma notícia,   mesmo  consistente,  é um risco. Vê-se, também,   que isso  ocorre em outros segmentos da cultura.No caso específico da Arte, nota-se  esta mesma "unanimidade" ,impositiva e massificadora , que impede que a expressão artística surja fora de uma sistematização dominadora.Portanto,    que sua existência deva  passar pelo cotidiano, engajada aos fatos do mundo. e traga um somatório de informações capazes   de identificar pretensas rupturas ou o olhar seja voltado para um individual consistente. 
 Portanto,é necessário observar  o mundo,de forma que sejam visualizadas  outras janelas através das quais  os assuntos insiram sobre a sociedade na sua estrutura orgânica e sensível.  buscando-se  o diálogo e a reflexãosem massificações sociais.  
  Este processo representa a castração brusca em relação ao desenvolvimento desejado - intuição e trajetória cultivadas e  postas de lado. Apesar das crises nos relacionamentos do Homem com o Homem e com a organicidade do mundo,desejamos  um futuro melhor. Temos acesso somente a poucas formas de comunicação que ressaltem um olhar diferenciado advindo de tentativas com erros e acertos.Contudo,  o oposto deve ser observado, também como alertam  as notícias herméticas e  pretensiosas que colocam  o leitor contra a parede ao conferirem à   obra de arte o status quo de também     consentir em entrar"no jogo para não se sentir excluída.
 Estes argumentos comprometidos, buscam criar mitos, personalidades e uma qualificação quantitativa profissional que afasta a possibilidade de se fazer uma investigação coerente. Com isto,  o receptor sente-se aprisionado e para  não ser minimizado consente e aceita   a informação,mesmo que ele não a compreenda. Ativar um novo experimento que mexa com valores e que componha um corpo em um processo de criação torna-se um instrumento de sedução para aproximar o público.Afinal, parece-me ser este   o significado verdadeiro    da cultura.
 A estratégia discursiva globalizante produz uma falsa verdade, visto que a relação entre realidade e linguagem não condiz com a essência da Arte,   tão relevante como a própria vida. Calcar só sobre um aspecto com funções conotativas estabelece uma dicotomia e denuncia os interesses que estão por detrás da dinâmica deles. “A Arte Nasce do Novo"constitui   um chavão acadêmico, pois este "novo"  é repetitivo e não dá chance  para que o indivíduo use a sua sedução para expandir livremente sua sensibilidade em múltiplos sentidos. 
  Segundo penso, existe um magiscísmo, por intermédio do qual   os impulsos do artista possam exteriorizar  suas peculiares diferenças.E, inclusive traduzir o   que o Homem pensa ser uma obra estética, assim como   a questão do Belo entre vários tópicos em torno da Arte diante das coerções e ditames planetários.  Pontuações sobre a imagem artística não podem ser decididas por meio de “acordos"pragmáticos.Sem dúvida,o que importa é que a ideia do  valor pessoal, intrínseco se presentifique, em liberdade,  mediante os  mais variados segmentos da natureza humana.