segunda-feira, 13 de junho de 2011

RELAÇÕES FRANÇA BRASIL

RELAÇÕES FRANÇA / BRASIL
por Roberto Cavalcanti 
O CEAQ SORBONNE (Centre d´Études sur l´Actuel et le Quotidien) foi criado pelos professores da Sorbonne Michel Maffesoli e Georges Balandier em 1982.
Trata-se de um Laboratório de Pesquisas, com vocação internacional, tendo como objetivo a pesquisa de novas formas de socialidade e do imaginário sob suas formas múltiplas. O CEAQ SORBONNE acolhe professores e pesquisadores dos mais variados países, devendo-se destacar o elevado número de brasileiros e de brasileiras que ali desenvolvem seus estudos superiores e suas pesquisas.
Os trabalhos desenvolvidos neste grande Centro de Pesquisas são tornados públicos através de duas revistas, « Sociétés » e os « Cahiers de l´imaginaire », e também através de Colóquios regulares.
Foi no CEAQ SORBONNE que nasceu a idéia da criação dos Colóquios França-Brasil, sob a responsabilidade dos professores Michel Maffesoli e Roberto Cavalcanti.
O projeto “CEAQ BRASIL” é um marco de Ação para o Desenvolvimento do Município de Teresópolis, Estado do Rio de Janeiro, e das pesquisas sobre o atual e o cotidiano no Brasil.
Devemos esclarecer que o CEAQ BRASIL é a primeira antena do CEAQ SORBONNE na América Latina. Este fato constituirá uma enorme propaganda Intelectual e Turística para o Brasil, para o Estado do Rio de Janeiro e, particularmente, para o Município de Teresópolis.
OBJETIVOS DO PROJETO
Promover estudos e pesquisas sobre as cidades e a vida cotidiana da sociedade contemporânea visando a colher subsídios para estudos mais aprofundados.
Dar continuidade ao intercâmbio cultural França – Brasil iniciado em 1989 pelo Grupo Le Corbusier-Rio, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenado pelo Professor Doutor Roberto Cavalcanti, juntamente com o CEAQ SORBONNE.
Estreitar o intercâmbio França-Brasil através de um programa comum de pesquisas e colóquios entre o CEAQ SORBONNE e o CEAQ BRASIL.
Organizar colóquios e encontros a nível municipal, estadual, nacional e internacional com a participação de profissionais das áreas pertinentes, de modo a se promover a troca de experiências entre os especialistas das diferentes áreas.
Estabelecer, a partir da elaboração de pesquisas conjuntas, vínculos de cooperação científica que possibilitem o intercâmbio de recursos humanos e técnicos, a nível nacional e internacional.
Propiciar à comunidade científica a possibilidade de usufruir do acervo organizado pelo Grupo, a partir dos estudos desenvolvidos, da informatização e da divulgação.
Projeto de considerável alcance social, na medida em que proporcionará uma integração social através da Cultura e da Educação.
O CEAQ BRASIL abrirá portas para Professores, Pesquisadores e Estudantes de diferentes níveis, desenvolverem seus trabalhos com a possibilidade de fazerem cursos de Extensão, Mestrado e Doutorado na França por intermédio do CEAQ SORBONNE.
O CEAQ BRASIL é uma ONG, conforme legislação brasileira, e deverá estabelecer parcerias e intercâmbios culturais com Entidades Culturais Brasileiras e Estrangeiras que tenham objetivos comuns.
No dia 07 de junho de 2011 aconteceu no Hotel Sofitel Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, a primeira reunião de coordenação entre o CEAQ SORBONNE e o CEAQ BRASIL para programar as atividades futuras do CEAQ BRASIL de acordo com a Filosofia de trabalho do CEAQ SORBONNE.
Presentes à reunião os Presidentes Honorários do CEAQ BRASIL, pela França o Professor Doutor Michel Maffesoli e pelo Brasil o Professor Doutor Roberto Cavalcanti e a Diretora de Assuntos Internacionais Professora Doutora Rosza W. Vel Zoladz. O crítico de arte, professor e escritor Vicente de Percia é o presidente em exercício.
Após a reunião os Professores participaram de um almoço de confraternização no Clube Marimbás, na praia de Copacabana. Drº Roberto Cavalcanti, vice-presidente foi o gerenciador deste encontro.
Na foto, da esquerda para a direita os professores Roberto Cavalcanti, Michel Maffesoli, a jornalista Regina Teixeira e a professora Rosza Vel Zoladz.
Foto do professor Vladimir Cavalcante

FORMAS DE ORGANIZAÇÃO

De dentro das praças e acampamentos, filósofo e militante italiano discute formas de organização, demandas e perspectivas do movimento na Espanha
Por Antonio Negri
Tradução: Bruno Cava

Na última semana, estive na Espanha a trabalho. Estive naturalmente envolvido com os “indignados”: atravessei algumas praças e acampamentos, questionei e discuti com muitos companheiros. Quem são os “indignados”? Não pretendo responder — há dezenas de narrativas facilmente encontráveis sobre isso. Relato aqui somente alguns apontamentos.
Democracia Real Ya nasceu dois meses antes do 15 de maio. É uma associação de militantes digitais, menos radicais, porém mais eficazes que o grupo Anonymous. Já havia movimentos desde janeiro de 2011 contra a Lei Sinde, que pune a pirataria na Internet; e articularam um discurso e uma luta contra a assinatura daquele acordo entre PP e PSOE (direita e esquerda), que viabilizara essa lei, promovida inclusive pelo vice-presidente americano. Em conseqüência, a associação incita à recusa do voto: “no les votes!”, e desenvolve um discurso sobre o sistema representativo espanhol, contra o bipartidarismo, com a exigência de uma nova lei eleitoral proporcional, dirigida a favorecer o pluralismo e a equidade.
Um segundo grupo interessante é o V de Vivienda. É um movimento de luta pela moradia, começado em 2005 (“por uma moradia digna”) e desenvolvido em rede, como reação ao estouro da bolha imobiliária. Em rede, convocam manifestações, produzem verdadeiros “enxames”, com grandes mobilizações iniciais que, contudo, encontraram dificuldade em obter um impacto político mais duradouro.
Um terceiro movimento é o dos “hipotecados”. Surge em Barcelona e constitui uma plataforma de ajuda recíproca das famílias e indivíduos que, por causa de hipoteca ou débito bancário ou insolvência privada, terminaram despejados. Valoriza muito a aparição midiática — inclusive nos meios tradicionais. Esta competência foi muito importante para as lutas e a construção do 15-M.
Um quarto grupo se formou nas várias assembléias e coletivos do cognitariado urbano. Esses não possuem militantes orgânicos. Trata-se essencialmente de uma esquerda intelectual, que protesta e coopera em rede, assumindo posições radicalíssimas contra a precariedade e a incerteza do trabalho, além de contestar os baixos salários. São grupos do trabalho imaterial crescidos na crise, “dentro e contra”.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

AS ARTES VISUAIS PRESENTE NA FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO.

A obra, batizada de "Torre de Babel de Livros", é de autoria da artista plástica argentina Marta Minujín, que reuniu mais de 30 mil exemplares de 54 países, inclusive do Brasil, como informou a assessoria de imprensa do governo de Buenos Aires.
"É importante que todos venham (ver) porque esta é uma obra de participação maciça", disse Minují
Para reunir tamanha quantidade de livros, ela contou com edições doadas pelas embaixadas e por moradores de Buenos Aires, que entregaram seus exemplares durante dois meses nas várias livrarias da cidade.
"A ideia foi transformar a torre num veículo da cultura, unificando o mundo através dos livros", afirmou a artista. Ela disse que a realização da obra foi como "um milagre" artístico que "entrará no imaginário coletivo".
José Mraia Mejhias member da Bow Art International foi o representante escolhido para divulgar as editorações da B.A.I.

terça-feira, 24 de maio de 2011

CRÍTICA LITERÁRIA - OBRA DE SÉRVULO SIQUEIRA


Fragmentos de um Botão de Rosa Tropical, 205 págs, 2010, Rio de Janeiro, de Sérvulo Siqueira, edição do autor.

Imerso em uma árdua e satisfatória pesquisa o crítico e cineasta Sérvulo Siqueira mostra que as informações nem sempre são verdadeiras. Os motivos são vários e partem desde meros monólogos até o desejo de sair à frente para suprir o desejo de inovar. A estada de Orson Wells no Brasil possui inúmeras versões, um “mistério” acerca do seu inacabado filme Its All True. A pesquisa de campo em função deste enigma serviu de motivação para o autor realizar sua pesquisa desde 1962 até 1983 como informa a orelha deste livro.
Vejo Sérvulo como um personagem incluso na sua obra, recorrendo a documentos, fotografias e sujeito a revisar nesta trajetória sua obra e a de Wells. Seu objetivo é parceiro de arquivos que fornecem fatos relevantes para a história do Cinema. Certamente, este processo se arrastou aprofundando os laços entre Sérvulo e Orson e este encantamento com seus vaivens, surpresas não se restringe, somente em mostrar a verdade, vai muito além, pois estabelece uma estratégia motivadora no leitor. Para assumir a primeira pessoa conduz o visitante leitor pelos labirintos que um dia marcou a chegada e a partida do cineasta e o seu sonho que não é sonho e sim as galerias dos documentos e o cotidiano.
Como leitor e propondo-me a fazer um chamamento: palavras que substituí em relação à crítica vão de encontro de um opus para deixar registrado o entrever que narra com entusiasmo e coerência “alguns fatos obscuros, mal explicados ou propositalmente distorcidos”. O livro: “Fragmentos de um Botão de Rosa Tropical” não é um brado indignado é mais que uma fonte de pesquisa, coleciona ambiências, os múltiplos segmentos que formam um elo para adequar a ideia formatada do autor, certamente a polêmica é dita de outra maneira; a polêmica revitalizada que garante a imparcialidade, porque estimula à diversidade que orienta e abre possibilidade ao diálogo e esclarecimento.
Vicente de Percia
Escritor/Crítico de Arte membro da Associação brasileira e internacional de críticos de arte e Member da Bow Art Internationa
Helena Falcão disse... Para adquirir este livro, visite a página

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

EMBRIÃO DE UMA NOVA ESQUERDA




Origens do movimento espanhol revelam busca de pós-capitalismo e esforço para superar velhas formas de centralização. Há avanços e limites
Por Antonio Martins
Com pesquisa de Luís F. C. Nagao
Se em 1989 caiu o muro de Berlim, em 2011 caíram todas as formulações sobre o fim da história e a falta de interesse dos jovens pela política. As mudanças no mundo árabe e a piora nas condições de vida com ausência de perspectiva na Europa estão gerando processos de luta social intensos e, sobretudo, inovadores.
O caso espanhol é significativo. O uso da internet como forma de comunicação direta entre os que os que rejeitam as lógicas do capitalismo não é novo. Em 2004, mensagens em massa, trocadas por celular, desconstruíram uma tentativa do então primeiro-ministro, José Aznar, para manipular atentatos terroristas e assegurar vitória eleitoral. Em 2006, houve mobilizações por casas dignas. Em 2010, greve geral contra os ataques do governo a direitos trabalhistas. Há poucos meses, o ciberativismo mobilizou-se contra a chamada “Lei Sinde”, que, a pretexto de defender a propriedade intelectual, restringe a troca de músicas, vídeos e outras criações culturais via internet.
Nas últimas semanas, esta rica história de ações ajudou a propagar de forma muito rápida duas iniciativas que desembocaram na ocupação, pela juventude das praças centrais de mais de duzentas cidades – inclusive Madri e Barcelona. São elas: o movimento Juventude sem futuro e a convocatória da Democracia Real Já
Juventude sem futuro é uma agrupação de associações universitárias que vem ganhando destaque por lutar contra a mercantilização do ensino e as contra-reformas trabalhista e no sistema de aposentadorias (aumento da idade mínima para receber os benefícios e redução de seu valor). As mudanças na lei trabalhista aumentam a precariedade dos contratos e reduzem o poder dos sindicatos, ao limitar as negociações coletivas conduzidas por eles. A taxa de desemprego juvenil está em 40%.
Mas a elitização do ensino foi, talvez, o fator que detonou a atual mobilização. O acesso à universidade torna-se cada vez mais restrito. Prioriza-se investimentos que formam uma elite – em geral direcionada para postos em grandes empresas – e deixa-se à míngua cursos menos diretamente relacionados com o mercado. Em 7 de abril, milhares de estudantes foram as ruas de Madri e mais dez cidades, em protesto contra mais uma rodada de ataque aos direitos sociais

terça-feira, 10 de maio de 2011

MESTRE E DR PELA UNIVERSITÉ DE PARIS I, COMENTA ENSAIO DE MEMBER DA BOW ART INTERNATIONAL

PARQUES TEMÁTICOS E PÓS-MODERNIDADE
Parabenizo a professora Diomira Faria pelo excelente trabalho que vem desenvolvendo sobre um tema que merece uma ampla discussão: as manifestações pós-modernas e o turismo, e um associação dos parques temáticos com a pós-modernidade.
Quando falo de um tema que merece uma ampla discussão refiro-me à querela moderno/pós-moderno.
Sem querer me alongar no texto pensamos nos Ciclos da História da Arte onde estudamos os períodos arcaico, pré-clássico, clássico, helenístico, ou românico, gótico, gótico flamejante, ou pré-renascimento, renascimento, barroco e outros tantos ciclos que se repetem segundo uma noção estética muito bem desenvolvida pelo filósofo-professor Jean François Lyotard em seus cursos sobre o Belo e o Sublime nas salas da Sorbonne em Saint Denis, Paris VIII.
Outra batalha importante no século XX foi travada nas Universidades Européias e Brasileiras: os arquitetos e os artistas se insurgindo contra o ensino acadêmico ministrado nas Escolas de Belas Artes de Paris e do Rio de Janeiro.
Esta querela precede a atual tão bem definida pela professora Diomira Faria: turismo moderno x turismo pós-moderno, tomando como base os parques temáticos. Realmente,os parques temáticos são uma associação com a pós-modernidade.
No modernismo tivemos um turismo de massa homogênea e no pós-modernismo o turista não faz parte desta massa homogênea da população, com o crescente desprestígio do turismo de massa.
As viagens tendem, cada vez mais, a serem personalizadas. O cliente escolhe seu roteiro, reúne alguns amigos e amigas e traçam as etapas desejadas para suas viagens. Dirige-se então a uma agência de turismo para contratar seus serviços. Isto seria inimaginável no período moderno quando predominavam os pacotes turísticos.
Os parques temáticos caracterizam este período do turismo internacional. São numerosos os exemplos para serem lembrados em tão poucas linhas.
A interpenetração dos ciclos históricos é bem definida pela professora Diomira Faria quando ela afirma que os “parques temáticos são fenômenos com raízes na modernidade, servindo a um consumo de massas, com o qual é necessária uma rígida estrutura e uma ênfase na racionalização”. Cita a Disneyização e a McDonaldização como fenômenos modernos inseridos em um mundo pós-moderno.
Tópicos abordados pela professora Diomira, como compressão do tempo em um espaço determinado, consumo e lazer, hiperrealidade, lugares paradigmáticos, progresso tecnológico mereceriam uma análise posterior.
Bem lembrada a citação feita pela professora Diomira do livro de Harvey, Pós-Modernidade (1990): “o pós-modernismo não é uma descontinuidade em relação ao modernismo, e sim diferentes manifestações da mesma dinâmica subjacente”.
Concordo plenamente com a professora Diomira: trata-se de uma oferta moderna para uma demanda pós-moderna.
Rio de Janeiro, em 10 de Maio de 2011.
Roberto Cavalcanti
Arquiteto / Urbanista
Professor Doutor FAU-UFRJ
Mestre e Doutor pela Université de Paris I, Panthéon, Sorbonne

sexta-feira, 29 de abril de 2011

CINEMA CONTRA A HOMOFOBIA

O Ministério da Saúde francês decidiu financiar curtas-metragens para lutar contra a homofobia e o suicídio entre os jovens. Mas como criar imagens capazes de um tal feito?


Por Bruno Carmelo, editor do blog Discurso-Imagem.
“Jovem e homossexual sob o olhar dos outros”. O título deste projeto não poderia ser mais claro. Este conjunto de cinco curtas-metragens nasceu da iniciativa do Ministério da Saúde francês em 2008, que propôs aos jovens enviar roteiros com o tema acima. Os mais de 3000 projetos foram lidos, e cinco foram selecionados por psicólogos, membros de associações gays e personalidades do cinema, além do cineasta francês André Téchiné, abertamente homossexual, coordenador do projeto. O resultado foi exibido na televisão a cabo e em alguns cinemas de arte, restringindo os filmes a um público com poder aquisitivo e formação cultural mais elevados.
Não caberia aqui denunciar o didatismo de um projeto que não pretende ser mais do que isso: um objeto pedagógico de “luta contra a homofobia”, segundo o site oficial. O mais interessante é ver as consequências da pedagogia no cinema, pensar na noção de um cinema útil e intervencionista – cinema este que, embora ferramenta de ensino, beneficia dos mesmos canais e dos mesmos meios de produção de qualquer outro filme financiado com fundos públicos. Os filmes são todos, diga-se de passagem, bastante profissionais e competentes tecnicamente.