quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A CRISE ECONÔMICA PIORA AS RELAÇÕES COM A CULTURA

Miguel Cadilhe diz que o autor procura responder a uma questão: “Como se sai disto”? Primeiro não se pode esquecer a cena internacional. E existem três cenários, em U, em V e em W. O cenário em V será uma recuperação rápida da economia mundial, o em U será lenta e o em W será uma dupla recessão. Chamando a atenção para os três cenários, acho que uma recuperação rápida da economia mundial está fora de causa. Portanto vamos ter uma recuperação lenta havendo alguma ameaça, que não está afastada, de haver uma nova recessão. E essa recuperação lenta será muito liderada pela China, pela Índia e pelo Brasil. Há algum receio de que a China esteja sobre aquecida e que haja alguma travagem chinesa nessa matéria. Nesse caso começa a ser um problema para a economia mundial, pois a China é que tem sido o motor da recuperação da economia mundial. E temos alguns sinais de recuperação nos EUA. E na Europa, será pior do que os EUA.
Esta opinião postada na midia internacional não condiz com a bolha econômica que persiste e que ameaça a econômia mundial. Não há vencedores, todos perderão drásticamente. Não há países imunes, persiste uma situação irreversível se não forem tomadas providências a longo prazo. Vive-se um falso cenário de esperança onde o consumismo é a arma mortífera que detrói. O pensamento filosófico e estético alcançou índices avassaladores de mediocridade. Todos os setores da arte agonizam diante da falta de conteúdo e são manipulados em função do lucro fácil. A televisão serve para imprimir a apatia, não condiz com o instrumento que poderia ser formativo e conscientizar nas relações sociais. As artes plásticas, o cinema, teatro a literatura, etc são meros componentes de vaidade e estão à mercê de banais gerenciadores, eles infiltram-se em instituições governamentais, são guetos e monopólios políticos perversos. A crise europeia é um exemplo da opção por sistemas mentirosos e a consequência é a total perda de identidade e referência construtivas.
COMECE VOCÊ A MUDANÇA ATUANDO NAS MÚLTIPLAS ÁREAS DO CONHECIMENTO. ACORDE. NÃO SEJA PASSIVO DIANTE DA DESIGUALDADE IMPOSTA.

domingo, 8 de agosto de 2010

FATO HISTÓRICO RELEMBRADO.INSTITUIÇÃO QUE IMPLANTOU A CULTURA EM FESTA

Julho de 1956 foram aprovados os Estatu-tos da Fundação Caloustre Gulbenkian, uma instituição que muito tem contribuído para o desenvolvimento cultural, artístico e científico do País. Foi criada por vontade do homem que lhe deu o nome, mas sobretudo a sua colecção de arte e os meios financeiros. O historiador José Miguel Sardica revela-nos quem era este homem que se apaixonou por Portugal. À partida, nada ligaria o milionário Calouste Sarkis Gulbenkian a Portugal. Mas foi a Portugal que Gulbenkian legou a sua vasta colecção de arte e os meios financeiros para aqui erguer a Fundação com o seu nome, com estatutos aprovados a 18 de Julho de 1956. Nascido na Arménia e diplomado em engenharia em Londres, Calouste Gulbenkian esteve desde cedo ligado ao mundo do petróleo e da alta finança do Médio Oriente. Era o “senhor 5%” por ser essa a sua habitual margem de lucro em todos os negócios em que se envolvia. Ao mesmo tempo, e desde o final da década de 20, dedicou-se à sua grande paixão de coleccionador de arte. Durante a 2.ª Guerra, na altura em que vivia na França de Vichy, o embaixador português convenceu-o a visitar Portugal. Veio, hospedou-se no luxuoso Hotel Aviz, e foi ficando, rendido ao clima, à paz nas ruas, à simpatia das pessoas, e à própria figura de Salazar, que ele admirava. Tornou-se especialmente amigo do médico Fernando Fonseca e do advogado José de Azeredo Perdigão, que encarregou de lhe resolver as questões burocráticas de residência e da colecção de arte. No fim da vida, Gulbenkian imaginou criar uma Fundação igual à da família Rockefeller e sediá-la nos Estados Unidos. Mas a morte da mulher, em 1953, e as desinteligências com o filho Nubar, levaram-no a uma alteração testamentária que abriu a porta à criação, em Portugal, da Fundação Calouste Gulbenkian, um ano após a sua morte, ocorrida em Julho de 1955. Com estatutos aprovados em 1956, e sob a presidência vitalícia de José de Azeredo Perdigão, a Fundação Gulbenkian inaugurou o seu actual edifício sede em 1969, e rapidamente se tornou, pelo seu mecenato artístico e científico, uma instituição de referência nacional e internacional.

sábado, 24 de julho de 2010

EXPRESSIONISMO ALEMÃO

Na concepção expressionista, o intelecto tem a primazia. Edschmid proclama a "ditadura do espírito, o qual tem a missão de moldar a matéria". É fundamental ressaltar a "atitude da vontade construtiva", do eu que molda o real. É, portanto, sintomático que a literatura expressionista esteja pejada de expressões tais como "tensão interior", "força de expansão" ou "imenso acúmulo de concentração criadora".
É preciso tratar ainda de outro ponto do expressionismo, a questão da abstração da realidade. O historiador Wilhelm Worringer, em sua tese de doutorado publicada em 1907, Abstraktion und Einfühlung, antecipa muitos preceitos do expressionismo, o que prova a que ponto esses axiomas estéticos estão próximos da Weltanschauung (visão de mundo) alemã.

terça-feira, 20 de julho de 2010

ROBERTO DE AZEVEDO E SOUZA -IDEIAS

TESE DE DOUTORADO – IDÉIAS
Entre 1990 e 1994, resolvi estudar as principais causas das nossas terríveis, vergonhosas, obscenas, etc desigualdades sociais e, para tanto, elaborei na Sorbonne, uma Tese de Doutorado, com o título:
- "Participação Popular, uma Alternativa de Mudança Social – o Papel da Universidade".
Esta Tese de caráter teleológico, portanto não de caráter puramente teórico, visava, assim a sua aplicação imediata, ou seja, é uma proposta alternativa de mudança social.
Neste estudo, foram detectadas duas principais causas, que muito resumidamente, podemos descrever assim :
- Uma externa, que é a famosa dominação do Norte sobre o sul. Que Celso Furtado tão bem descreveu na sua obra "Ares do Mundo";
- Uma interna, que nada mais é do que a reprodução da primeira, internamente, isto porque as nossas elites estão muito mais ligadas ao exterior do que à nossa realidade concreta;
- Vejamos agora, como poderemos enfrentar esta segunda causa. No nosso entender podermos fazê-lo com a superação da não participação popular, chamada de miséria política, segundo Pedro Demo.
Todavia ela sozinha não é suficiente pois é uma atividade facilmente coptável, arrivista, que espera resultados imediatos, pois é muito praguimatica e nada teórica. Assim é preciso que se associe uma visão teórica de maior alcance e isto será a aproximação do conhecimento, que geralmente é, por sua vez, muito teórico. Num processo dialético é possível esperar resultados positivos.
Não é por acaso este dueto, pois a nossa Tese teve como Referencial Teórico o Bloco Histórico de Antônio Gramsci, no qual, as nossas duas variáveis: Participação Popular e Conhecimento, fazem parte da sua Superestrutura, portanto, por definição, em condições de modificá-lo.
Contudo nós sabemos como é a nossa elite cultural, basta lembrar que o nosso ensino oficial é baseado na decoração, ou seja, é a Pedagogia da Dominação, que segundo Paulo Freire, é a célebre transação bancária, no qual o ensino é transmitido ao aluno que é mero objeto. Todavia, se usarmos o método da crítica da realidade , ou da Educação Popular de Paulo Freire, o aluno passa a ser o sujeito da ação com uma outra cabeça, desenvolvendo o raciocínio em detrimento da memória. Isto deve começar nas nossas universidades para que o futuros mestres possam passar para os alunos do I e II graus. Ainda para estes, o ensino deve ser dado no tempo integral e não, como comenta Frei Beto, eles têm 4 horas de aula e 8 de T.V. Além disto, o Ensino, como um todo e a família, em particular estão em crise e, portanto é preciso que ambos atuem conjuntamente, para isto é preciso que a escola esteja aberta os 7 dias da semana. Esse ensino deve incluir lições sobre a sexualidade a partir de certa idade, pois as gurias estão parindo muito precocemente. Assim, estamos secando gelo!
- É preciso, ainda que o magistério não se contente em ministrar o ensino somente para os alunos de sala de aula, é preciso extendê-lo aos Movimentos Sociais, às vilas, malocas etc.
É claro que, para isto, esperamos que os novos dirigentes do país façam da Educação e da Saúde as suas prioridades, com a valorização do magistério.
Quanto à primeira Dominação, a do Norte sobre o Sul, a saída é a formação de um Bloco envolvendo ainda, países da América do Sul e Caribe e, talvez envolvendo o México. Para que tenha força, econômica e política para dialogar em igualdades de condições dom a União Européia e outros blocos e, assim escapar da Dominação dos EUA.
Chamo a atenção que isto não é recomendação recente, pois data de, pelo menos, desde 18/11/1994!
Creio que isto é o que poder-se-ia dizer em uma lauda
Continuo à disposição no meu Web:
www.rasouza.cjb.net e, eventualmente para alguma palestra.
Dr. ROBERTO DE AZEVEDO E SOUZA

segunda-feira, 28 de junho de 2010

MARLENE DUMAS

O núcleo da exposição é um conjunto de obras, algumas de grande formato, exibidas em Março de 2010 em Nova Iorque, na galeria David Zwirner, sob o título ?Against the Wall? [Contra o Muro]. Este título alude expressamente à chamada ?Barreira de Segurança? [Security Wall], o muro que tipifica o conflito israelo-palestiniano, mas também às barricadas de estrada erguidas nos territórios ocupados e ao Muro das Lamentações.
Em Serralves o âmbito da exposição foi alargado com a inclusão de cerca de vinte outras obras da última década relacionadas com o conflito do Médio Oriente mas que não haviam antes sido explicitamente associadas ao tema.
Este novo conjunto de obras elucida a luta que a artista trava actualmente com os limites e as possibilidades do seu meio de eleição: “Uma pintura precisa de um muro para contestar”.

A mostra integra obras cedidas por numerosos coleccionadores públicos e privados da Europa e dos Estados Unidos. Acompanha-a um catálogo com aproximadamente 96 páginas, em português e inglês, com ilustrações das pinturas em exposição e um “banco de imagens” dos materiais documentais e de referência da artista, bem como textos seus e um ensaio da autoria de Ulrich Loock.

Nascida em 1953 na Cidade do Cabo, na África do Sul, Marlene Dumas vive desde 1976 na Holanda. O seu trabalho é consensualmente reconhecido pela sua eficiência pictórica e o modo como aborda as questões mais candentes da vida contemporânea.



domingo, 20 de junho de 2010

PARQUE CULTURAL QUE PRECISA SER ATIVADO COMO OUTROS EM PORTUGAL

Casas típicas, faróis, monu-mentos de todo o país e edifícios das ex-colónias. O Portugal dos Pequenitos mostra o país sob a lente do salazarismo: um Portugal enorme, que se estende do Minho a Timor, mas que cabe todo numas centenas de metros quadrados em Coimbra. Setenta anos depois da sua inauguração, o país mudou e aquele que é o seu parque temático com mais visitas (400 mil por ano) está desactualizado, parecendo uma Disneylândia do Estado Novo, uma relíquia kitsch retrofascista ou o jardim de um emigrante excêntrico.O Portugal dos Pequenitos foi uma ideia de Bissaya Barreto, médico amigo de Salazar. O projecto é do arquitecto Cassiano Branco, apoiante da candidatura de Humberto Delgado que chegou a ser preso pela PIDE. Inaugurado em Junho de 1940, cedo se tornou um ponto de passagem obrigatório nos passeios de domingo e visitas de estudo. Sofreu remodelações e acrescentos até ao final dos anos 50, quando ficaram concluídas as miniaturas das províncias ultramarinas.

domingo, 6 de junho de 2010

BILL HARP: A ANTIARTE COM MUITO ALARDE,PORÉM SEM CONTEÚDO

A ANTIARTE COM MUITO ALARDE,PORÉM SEM CONTEÚDO
A preocupação em mudar os os suportes tradicionais da arte foi uma maneira que a grande maioria dos artistas plásticos optaram para serem chamados de contemporâneos, com isto abriu-se precedente para o surgimento do objeto/arte e uma avassaladora "experimentação de dizeres".
No início da década de 70 apareceram materiais como o acrílico, entre os diversos que a industria oferecia. Foi sem dúvida, um dos preferidos de todos os artistas,inclusive seduzindo àqueles que já estavam legitimados no Circuito da arte.
O Dada, a Antiarte, já tinham fincado desde os primórdios do séc XX conceitos que levariam a nova ocupação do espaço, surgia uma liberdade condizente com a anunciação da técnologia.
Marcel Duchamp após concluir que não seria um bom pintor resolveu filosofar através da arte. Da mesma forma que seu predecessor Andy Wahrol, este com uma significativa produção por vários atelieres utilizou-se de construções já conhecidas na arte como: a fotografia, a tela, desenho, etc. Ambos sabiam o quanto o campo das artes plásticas poderia ser invadido por "teórias" principalmente Duchamp que fez seu nome dentro deste objetivo - especulações para obtenção de lucro fácil e imediato diante de uma sociedade instável onde a dinâmica da vida era perceptiva por todos.
Era o descatar da linguagem para compor um sistema onde a expressiviadade era, justamente não possuir linguagem, em suma:cada obra teria uma linguagem onde o domínio dos meios materiais e intrumentais não seriam necessários. Aboliria-se a técnica, o estudo específico da tarefa artistica em prol da utilização de meios fáceis - o dizer de cada um sem maiores compromissos,o cotidiano. Era a anunciação do que viria.
O Objeto surge com a intenção correta, há registros de boas composições incluisive no objet trouvé surrealista,porém o Surrealismo que fez rupturas com a arte se expandiu por vários campos como a literatura, o teatro, o cinema,etc. O manifesto surrealista de André Breton ativou o pensamento, seduziu intelectuais entre eles Max Ernest, Dali, Bunuel.
De fato o " momento atual" começa nos anos 70 segue pelo séc XXI. As regras foram abolidas, não há parâmetros, o "descontruir" é a bola da vez,a imaginística desvairada e subjetiva se instala no processo de "criação"- a meta é o imediatismo e o ganho fácil, principalmente pelos intermediários da arte Recentemente, incluso em projeto de pesquisa nos arredores de New York constatei a total passividade do espectador diante da chamada "arte contemporanea". Achavam bom,mais não sabiam o porquê, na verdade tinham receio de serem excluídos por afirmar que não entediam o que estava vendo era confessar o despreparo segundo eles em relação à compreenção da arte. Um dos espaços abrigava várias bicicletas desmontadas e suas peças ocupavam aleatóriamente a galeria. Suspensa em um trapézio uma "atriz" balançava-se lendo trechos de filósofos gregos. Ficou claríssimo nos subssídios colhidos na pesquisa que os presentes não interagiam com a "idéia" proposta ou seja não compreendiam o que estavam vendo. Eram passivos.
Alguns afirmam que Marcel Duchamp, também se inspirou nos cubistas.ao contrário desta afirmação, a partir domomento que o artista pode mandar executar a obra desconhecendo o processo artístico significa que não hove interação com a arte.Ser novo não é ser alienado e a experiência e os questionamentos no processo da tarefa artística são vitais. Conhecer a "teória do caos"por ouvir falar, não dá respaldo para ter total désdem com a vida e a natureza. É ser sim um ser caótico.
Bill Harp 29 de maio de 2010 , New York -Trad ução: Justinée Jeff